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Os dois campeões olímpicos estão na tripulação do Iate Clube de Santos na disputa do Match Race Brasil, enquanto Boris é árbitro.

 Rio de Janeiro (RJ) - Cabelos longos, recém-saídos da adolescência e uma missão impossível: ganhar uma medalha no torneio olímpico de vela dos Jogos de Moscou, em 1980. Marcos Soares, 19 anos, e Eduardo Penido, 20, não só viraram heróis ao conquistar o ouro da classe 470, como referência para muitos outros velejadores que transformaram o esporte no maior ganhador de medalhas do País.

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Os dois garotos, que disputavam a classe Pinguim, resolveram formar a dupla de 470 em 1977. Na Pré-Olímpica de Vela de 1978, ganharam uma bola de basquete de presente da organização. "Éramos os participantes mais jovens e o recado era ‘brincar’ de outro esporte", lembra sorridente Marcos Soares, que se orgulha de ter aos 49 o mesmo peso dos 19 anos.

Marcos, que comanda a empresa Sailing, especializada em equipamentos náuticos, representa os barcos Beneteau no Brasil e trabalha com charter de veleiros, está passando por um momento profissional agitado e nem se lembrava dos 30 anos da medalha. "Minha filha estava fazendo um trabalho para o colégio e me pediu para ver a medalha. Só aí a ficha caiu. O tempo passou rápido demais."

Edu Penido, ao contrário, lembrou-se dos 30 anos, completados no início de agosto, ao receber os parabéns de alguns amigos. Ele garante que tem gravado na memória cada uma das sete regatas que disputou na raia de Tallinn, capital da Estônia, que antigamente fazia parte da extinta União Soviética. "Fomos pensando dia a dia na competição e chegamos na decisão precisando chegar até em sexto lugar para sermos campeões, na briga com a dupla alemã. Na última regata, os alemães venceram e nós cruzamos justamente em sexto, garantindo o ouro."

Assim como Marcos, a vida de Edu também mudou depois do ouro. "Além do valor pessoal, emocional, a vela abriu caminhos profissionais importantes para todos nós". Ele representa a fábrica de vela North Sails no Rio e é velejador de Oceano.

Reinald Conrad, medalhista olímpico de bronze em 1968 (Cidade do México) e 1976(Montreal), na classe Flying Dutchman, era o ídolo de Marcos Soares. Já Edu Penido tinha como espelho Joerg Bruder, o brasileiro tricampeão mundial de Finn, que virou lenda do esporte ao morrer num acidente aéreo de 1973, em Orly, quando ia tentar o tetracampeonato.

"Acho que ajudamos na história da vela e, principalmente, no surgimento de talentos como Torben Grael e Robert Scheidt, os grandes vencedores do esporte", concluiu Penido.

Dupla reencontra o técnico - Marcos Soares e Edu Penido reencontraram neste sábado o técnico que tiveram na Olimpíada de 80: Boris Ostergren, que atua no Match Race Brasil como árbitro. "É bom rever os dois e lembrar de um momento tão especial para o esporte brasileiro", disse Boris, depois de abraçar os dois velejadores.

O encontro só foi possível porque Marcos Soares foi convidado para substituir Lars Grael, que teve compromissos em Brasília e participou dos dois primeiros dias de competição. Edu Penido já estava na equipe do Iate Clube de Santos, cujo timoneiro é Alan Adler.

No iatismo da Olimpíada de Moscou, o Brasil ganhou ainda medalha de ouro na Classe Tornado, com Alex Welter e Lars Bjorkstrom. Essas foram as duas primeiras medalhas olímpicas de ouro da vela brasileira. Hoje, o esporte tem 16 medalhas, sendo seis de ouro (duas de Torben Grael e Marcelo Ferreira, na Star, e duas de Robert Scheidt, na Laser).

O Match Race Brasil 2010, como sempre, está sendo disputado em veleiros Beneteau First 40.7, rigorosamente iguais e fornecidos pela organização. A competição reúne 10 equipes este ano, de quatro Estados.

A competição distribuirá R$ 50 mil em prêmios entre os seis primeiros classificados, sendo que o clube vencedor levará R$ 18 mil, além de ficar durante um ano com a posse do exclusivo e cobiçado troféu Roger Wright, feito todo de prata, numa homenagem ao banqueiro falecido no ano passado num acidente aéreo na Bahia.

O Match Race Brasil é organizado pela Brasil1 Esporte e tem o patrocínio de Bradesco, Volvo, Semp Toshiba, Nycomed, Wartsila, Light e Lei de Incentivo ao Esporte, com apoio do Iate Clube do Rio de Janeiro, Federação de Vela do Estado do Rio de Janeiro, Confederação Brasileira de Vela e Motor e Marinha do Brasil.