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Quem nunca quis dar a volta ao mundo em um veleiro, parando de porto em porto, conhecendo diferentes culturas e mares? Augusto Hoffmann Schlieper, Gustavo Schlieper e Cláudio Cavalli estão realizando este sonho no projeto Destino Canela.

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A expedição, que tem este nome por serem os seus integrantes canelenses, começou em 2008 e tem por objetivo levar o Rio Grande do Sul ao mundo e divulgar a vela oceânica brasileira.

“Nos dias de hoje é possível dar a volta ao mundo sem encontrar um barco brasileiro fora da costa de nosso país. Para mudar essa realidade mostraremos com nossa viagem o quanto simples e acessível pode ser viajar de barco, o que é necessário e de que forma isto pode ser feito”, comentam os aventureiros.

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A rota foi dividida em quatro etapas: a primeira (passa por San Diego, México, Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica e Panamá), a segunda (no Panamá, Galápagos, Polinésia e Nova Zelândia), a terceira (na Austrália, Indonésia, Mar Vermelho e Canal de Suez), onde se encontram atualmente e a quarta e última etapa, pela Europa e Brasil. A expedição do veleiro Canela terá fim quatro anos após seu início, quando os tripulantes chegarem de volta a Canela, com 31 mil milhas náuticas navegadas.

O barco é sul-africano, é um veleiro Mauritius 43` Ketch, em fibra de vidro, foi construído 1982. Mede 13,2 metros, largura de 4 metros e quilha, fixa, de 1,7 metros. Pesa 15 toneladas.  Para se deslocar usa um motor Perkins de 60 HP, modelo M60 de 4 cilindros a diesel, possuindo um gerador Kubota a diesel.

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É possível acompanhar o dia a dia dos rapazes em textos, fotos e vídeos no site da expedição, o Destino Canela. Os tripulantes têm blogs que contam a rotina em alto-mar e as diferentes paradas que fazem. No site ainda é possível fazer a localização geográfica do barco via Global Tracker e comprar camiseta para dar incentivo à aventura.

 

O Turanor PlanetSolar é um catamarã com cerca de 30 metros de comprimento por 15 metros de largura, que está dando a volta ao mundo para mostrar que usar o sol como fonte de energia é uma alternativa viável.

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A embarcação, projetada por um neozelandês e construída na Alemanha, tem bandeira suíça e uma tripulação de apenas seis pessoas. Para alimentar os motores, os cerca de 530 metros quadrados da superfície superior do barco são recobertos por placas para captar a luz do sol.

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O barco não só é o maior movido a energia solar no mundo, como tem também a maior bateria carregável, que é segredo industrial. Mesmo se o sol desaparecesse, ele ainda andaria por três dias. A velocidade máxima do barco é de 15 km/h, mas a velocidade média é aproximadamente a metade disso, como explica o capitão. Assim, foram necessários 26 dias para cruzar o Oceano Atlântico.

 

Por Nelson Ilha- colunista da www.nautica.com.br

Mundial de 420: um Raly Dakar nas águas do Prata

Quando existia ainda o Camel Trophy anterior ao Rali Paris – Dakar, me inscrevi como voluntário para trabalhar junto à organização. Sonhava em fazer um rali destes pelo deserto. Não fui chamado. Anos mais tarde fui, à Patagônia de Kombi em um verdadeiro rali pelo deserto do sul da Argentina. Não satisfeito, em 2009 fizemos o norte da Argentina pelos desertos de Atacama, descendo pelo norte do Chile, na mesma Kombi. Encontramos no final de janeiro os participantes do rali em Valparaíso.

Neste ano, fui convidado para compor o Juri do Mundial da Classe 420 em Buenos Aires, durante o final de ano. O campeonato teve 96 inscritos de 18 países. As regatas foram na maioria de ventos fortes. Por tratar-se de uma classe na maioria composta de jovens advindos do optimist, muitos sofreram capotagens que acabaram resultando em quebras de mastros. Alguns comentaram se tratar de um verdadeiro rali, devido às dificuldades encontradas. O Rio da Prata é muito raso e os mastros cravam no fundo, dificultando a manobra de desvirar.


Foto DPPI
O Rally Dacar aconteceu simultaneamente na Argentina, e na água as condições foram parecidas

No dia 1º de Janeiro não houve regatas e pudemos assistir à largada do Rali Dakar junto ao monumento Obelisco no centro de Buenos Aires. Com recorde de 94 motos, 14 quadricíclos, 55 carros e 41 caminhões competindo, mais algumas dezenas de carros de apoio, esta 33ª edição do rali atrai mídia do mundo inteiro. Nesta edição fizeram a região que fizemos do norte da Argentina, portanto os locais são bastante familiares, claro que a maioria do percurso feito por eles é Off Road.

 

Como na classe 420, a exemplo da classe 470, é usada a bandeira Oscar para indicar que a regra 42 é liberada, exceto para remar, os barcos do júri ficaram como apoio dos velejadores, fazendo muito mais o trabalho de salvatagem do que julgando a ação dos velejadores. Mas controlando a situação cada vez que se avistava um barco virado. Não houve um dia que o júri atendeu pelo menos algum caso que foi necessário prestar auxilio.

No campeonato Open, a festa foi argentina com a vitória de Pablo Voelker, filho do projetista naval argentino Nestor Voelker. O melhor brasileiro foi Henrique Haddad com Nicolas Castro, que terminaram na 15ª posição.

Foto: Carlos Cambria
Os velejadores durante "rali" no Mundial de 420

No feminino, a vitória foi da inglesa Annabel Vose e Megan Brickwood. A única equipe feminina que representou o Brasil foi composta pelas velejadoras Leticia Nicolino de Sá com Karina Pedreira que acabaram em 35º lugar e dois mastros a menos.

 

 

O troféu de melhor equipe ficou com a Inglaterra, que colocou 6 barcos entre os 10 primeiros, demonstrando que esta fazendo um excelente trabalho de base na formação de novos talentos. Sendo a classe 420 o berço dos velejadores da classe 470, ela é considerada estrategicamente muito importante por muitos países.

No Brasil, alguns estados têm os barcos 420 sucateados nos galpões, o que é uma pena, pois é se trata de um barco relativamente barato e forte para agüentar as condições de nossos ralis aquáticos.

Nelson Ilha é velejador, árbitro olímpico e juiz internacional da ISAF.