Disputa judicial barra produção de Lasers no mundo

 

Por Antonio Alonso - Blog das Águas

Continuo aqui no assunto da classe Laser, que corre o risco de perder o reconhecimento pela Isaf. Bruce Kriby, que projetou o Laser em 1969, alegou não estar recebendo os direitos autorais do atual fabricante, a Laser Performance. A Isaf aceitou a alegação e parou de conceder licenças à Laser Performance. Na prática, a produção está parada.

Bruce Kirby não está nada feliz com a Laser Performance e nem está disposto a negociar novamente seus direitos autorais. Por isso, agiu rápido e criou outro barco, o Torch. Outro barco? Bem, é exatamente o mesmo Laser, só que com o logo do Torch na vela. Bruce Kirby já conseguiu o apoio do representante da Laser Performance na Austrália, e aparentemente também vai conseguir apoio no Japão. Ele fechou ainda negociações nos Estados Unidos e está animado para colocar a nova classe em funcionamento o mais rápido que puder.

O que ninguém falou até agora

É que a disputa comercial é mais feroz do que parece. Aos 80 anos, em 2009, ele passou o projeto do Laser de seu nome para a família Spencer, da Nova Zelândia. Não por acaso, essa é a família que controla a Laser Performance Australasia, que é justamente quem o está apoiando agora. Portanto, há bastante interesse na jogada. E os fabricantes europeus e americanos, estão brigando pelo menos há dois anos para que essa transferência não fosse aceita. Aos 84 anos, com uma força de vontade invejável, Bruce Kirby mostrou que a Laser Performance e seu proprietário, Farzad Rastegar, no mínimo, estavam mal assessorados judicialmente. Depois de dois anos de disputa, sem receber os direitos autorais (que, segundo Kirby, somam mais de 200 mil dólares), o jogo tem tudo para virar em favor do velhinho.

O Laser, barco velejado atualmente por Robert Scheidt, é olímpico até 2020 pelo menos. Ainda há muita incerteza com relação a essa disputa, mas é pouco provável que os velejadores sejam afetados de maneira significativa. Com as informações que estão abertas hoje na mesa, tudo indica que o que vai mudar mesmo é o logo na vela. E, talvez, o preço do barco.

Leia a matéria anterior sobre o Laser